Bem-vindo ao blogue da "Quebrada do Meio". Um projecto embrionário de Permacultura na Freguesia de Chãos, concelho de Ferreira do Zêzere...

Permacultura, Espiritualidade e Xamanismo: elos perdidos ao encontro da grande Luz do Sol da Noite

Monday, May 24th, 2010

“O desconcertante é que parece que Deus deve ser um tremendo permacultor” 

Ao tempo de antes, os seres humanos pareciam-se com crianças. Não se esqueciam de dirigir-se aos Deuses preces de agradecimento pelos frutos, pelas plantas e pelos peixes de que tinham necessidade. Unidos ao seu criador, viviam em paz uns com os outros, formando uma e única família. Apresentavam uma particularidade, uma fontanela permanecia mole durante toda a sua vida, e desse orifício espiritual eleva-se uma fibra luminosa que buscava a companhia de todos os elementos vivos da criação. Os mayas a chamavam de Kuxan Suum. O conjunto dos cordéis vibratórios formava uma coluna conectada a uma entidade luminosa chamada Sol da Noite, ao qual viviam os hologramas dos grandes ancestrais. Um alimento, sob a forma de energia espiritual, subia ao longo desse eixo central, que tradições ulteriores vieram a denominar o eixo do mundo. O tempo não existia, era o tempo universal, de antes da ruptura. Esta situação modificou-se quando o homem deixou o mal entrar nele. Esqueceu-se de fazer as preces de agradecimento, passou a caçar e a pescar sem necessidade, e começou a guerrear com outras famílias humanas. A fontanela enrijeceu-se, e pouco a pouco a conexão espiritual, o elo com o Sol da Noite, desapareceu (Pág.125)

Para os povos tradicionais, a espiritualidade e o misticismo são realidades comunitárias. A comunidade e cada individuo que a compõe devem estar concernentes da obrigação do homem para com o grande espírito, assim como da relação que existe entre todos os seres para que a natureza e as criaturas vivas possam prosperar. O doente tem obrigação de curar-se, o fraco, de tornar-se forte, o egoísta, de compartilhar. Todos os membros de uma comunidade devem viver em harmonia e estar conscientes do poder e do mistério que o cercam (Pág. 165)

Uma mulher veio ao encontro dele, trazendo com ela uma profecia e um cachimbo, objeto de unificação de um povo. Ela era parenta dos quatro patas – os bisões, que logo se tornariam a fonte do alimento do clã e da proteção contra o frio. Aliás, a estranha visitante preferia chamar-se de Ptesanwin, sua família era a nação Bisão, os machos são Pta, e as fêmeas, Pte. Era era portanto Pte, a irmã de cada Lakota. Sou mulher, disse ela, “minha língua fala a verdade, não existe nada de malfazejo dentro de mim.” Em seguida ofertou um longo tubo estreito, a laringe de Pte, que ela esticara e secara para o alento do homem. Esse tubo, disse ela, “tornará visível o alento de vocês. Usem-no para manifestar o bem, para entrar em contato com a sabedoria dos antepassados, para unir o povo e fazer com que suas palavras sejam sempre harmoniosas “(Pág. 44)

Um dia, íamos de carro pela auto-estrada, quando re repente vi um grande pássaro caído no acostamento. Fizemos meia volta. Era uma águia, ferida por algum caçador, Na queda quebrara uma das asas. Apesar disso, a infeliz tentara de todas as maneiras ganhar novamente vôo, mas estava fraca. Então masquei um pedaço de salva e apliquei-o como um emplasto sobre o ferimento. Em seguida juntei alguns talos de salva e arrumei-os em volta do animal, sobre o corpo e embaixo dele. Depois tentei colocar-lhe a asa no lugar. Por fim, mantendo-lhe as patas firmemente apertadas, ergui a mão esquerda em direção ao oeste e comecei a rezar. Estava ainda no meio da prece, quando o belo animal expirou em minhas mãos. Nós o carregamos até a tenda do Povo da Pedra. Orávamos, quando se produziu um flash de luz, e o espírito da águia entrou no lodge. Ela me abanou e tocou com suas asas, poderia jurar que se tratava de uma mão humana. Agradeceu pelo que tinha feito por ela. Minha garganta apertou e meus olhos encheram-se de lágrimas. O espírito da águia disse: “Quando eu estava caída no chão, experimentando as piores dores, tu me embalastes nos braços. Tentaste cuidar de meu ferimento, orastes para que pudesses viver. Mas agora sabes que possuo também um espírito, já me faltava sangue, e portanto tive e partir, doravante podes dispor da roupa que usei aqui na terra, minhas plumas, voltei para te dizer que de gratidão de ofereço minhas plumas, enquanto as usares ficarei voando em torno de ti, querido Andrew Cão Trovão (Pág. 45-46)

A desestruturação sagrada do eu é uma tarefa difícil para um ser comum, que deve lutar contra o medo e os condicionamentos. O profano teme sobretudo, quando se torna um receptáculo universal, ser aspirado na canalização cósmica e deixar, de alguma maneira, de ser (Pág. 218 – Extraídos do livro: O Físico, o Xamâ e o Místico, de Patrick Drouot, Edit. Nova Era)

Ritmos Naturais ou Separatividade: a comunhão silenciosa como uma arte da síntese

Este é o ponto central do desenvolvimento desta civilização: ou se afasta da conecção e da ressonância com os ritmos e leis naturais, ou realiza uma obra lesiva de invasão a este seu lar-planeta, avançando uma imensa cultura sobretudo urbana de valores, hábitos, que se chocará com a finitude dos recursos naturais e as conseqüências e impactos dos seus modelos insustentáveis, como a perda de qualidade em sua cultura e economia

Ocorre que tudo isso sabemos muito bem, o que temos a disposição neste momento é observar, como talvez o criador esteja também atento a que ponto desejamos a nossa individualização como ser, como mônada, o que temos de tão extraordinário para apresentar, que novidades estão pulsando em nossa alma neste momento, para desafiarmos “o eixo arquetípico da harmonia cósmica de Brahma, ou a responsabilidade sacramental cristica”, ou a passagem e culminância pelo estado de alma da consciência, que limitam a ação de nosso livre arbítrio

…A Permacultura surge neste momento para trazer respostas a este desafio de unir-se dois pólos: dos legados e aprendizados insustentáveis em sua maioria da cultura egocêntrica planetária, sobretudo urbana, e os ensinamentos sagrados das antigas e novas emergentes tradições. Respeitar o que há de melhor entre estas duas facetas da cultura planetária atual é possivelmente o passo estratégico para saltarmos para uma nova etapa de crescimento mais harmônico e contemporâneo em todo o planeta

Mas isto ainda é uma boa conversa e ilustração, a Permacultura pode significar apenas tecnologia e ciência da sustentabilidade, e dentro de seu ninho abrigar uma monstruosidade egocêntrica humana, ou nutrir a evolução de um ser luminoso, um vaga-lume e uma borboleta humana de leveza, de amor, de transcendëncia buscando o estudo da libertação e iluminação interior…

Qual o sentido disso tudo em nosso campo de visão? Por acaso esta ligação muitas vezes desconcertante e mediúnica com forças naturais, mostram algum segredo que nossa racionalização, excessiva predominância do pólo esquerdo cerebral, a proeminente acumulação sempre stressante de pensamentos, a pulsação ininterrupta de desejos, a vivência apenas em uma 3ª. dimensão, em nossa mente, a nossa crise de separatividade, o que manifesta em nosso sistema de vida, e pode estar nos distanciando de nossa comunhão com os ritmos naturais deste planeta e seus segredos ou ensinamentos naturais e espirituais?

Ontem estive em um produtor que pulveriza seu tomate a cada 3 dias, seus filhos não podem comer seu fruto, sua economia familiar exporta de sua casa um alimento envenenado, e sua renda atinge entre R$ 6 a 8.000 reais vendendo este produto, a que ponto de egocentrismo e de egoísmo ou de ignorância irresponsável chegamos, e de separatividade ou ausência de sensibilidade com as forças plasmadoras da vida e da existência?

Sua consciência pode estar lendo um livro, vendo TV, jogando futebol, meditando, mas sobretudo possui a capacidade de despertar sua curiosidade sobre os mistérios deste oásis de planeta, o que sabemos dele, qual nossa ligação com estas forças ou potências naturais? Na mitologia grega temos o mito de Hercules, relacionado sempre as constelações zodiacais, pois uma de suas facetas está o fortalecimento de nosso eu verdadeiro, nossa divindade, que necessita de imensos desafios para acordar todo o seu potencial, estes 12 trabalhos possuem uma ligação especial com as divindades superiores planetárias, seu estudo é uma das faces a ser revelada com a prática de uma abordagem holística e humilde junto a natureza, a Permacultura, a Agricultura BIodinâmica e a Agroecologia podem representar portas abertas e uma via segura de seu harmônico acesso.

Ser ecologista na nova era é algo que necessita advir de dentro, e na verdade espelha uma prática de vida, onde os detalhes todos são considerados importantes, desde o adquirir um bem, como a nutrição alimentar, a reciclagem do lixo, a edificação da casa sustentável, e indo mais alem a própria observação sobre os hábitos de consumo, necessidades mentais, desejos que surgem, objetivos da vida e do momento que borbulham na alma, sempre sincrônicos a captação intuitiva e real dos campos de sabedoria que necessitam ser conectados e observados diariamente

Esta abordagem é muito importante para a resolução dos principais conflitos sociais da atualidade, pois a separatividade se reflete na condução de nossas políticas públicas, onde a agricultura deixou de ser confiável e um berço para a produção saudável de alimentos e medicamentos, agora a nutrição estando desconectada das leis naturais e sagradas, origina uma medicina mais artificial, sintomática, e pouco integral em sua diagnose, contribuindo para mercantilizar o ser humano para uma maior dependência a estruturas econômicas densas e insustentáveis

Podemos unir a agroecologia, com a nutrição vital e a medicina holística, introduzindo este paradigma em nossas políticas públicas. Esta abordagem holística não quer dizer excluir a ciência moderna e sua importância, mas valorizar desde o curandeirismo e xamanismo, a operações clinicas cirúrgicas. Na verdade os médicos deveriam praticar yoga, tai chi, medicina tibetana, obtendo assim uma maior clarividência, para diagnosticar com mais precisão as causas da maioria das doenças. Mas como uma mente carregada de pensamentos, desejos, endeusando demais o dinheiro, vai conseguir enxergar o duplo etérico de uma pessoa, seu campo aurico, seus chacras, obcessores, níveis de radiância cristica? Ou se tornar um canal de forças curativas?

No oriente há muito tempo afirma-se que um homem deveria obter mais de 64 profissões (Livro Alquimia do Êxtase – Ed. Record), em uma vida, assim lançamos este desafio, de cada ser humano neste planeta poder um dia merecer este conhecimento, esta cultura sustentável que avança na fusão da Permacultura-Biodinâmica com um estilo de vida realmente ecológico, nesta síntese de uma medicina agroecologica, esta responsabilidade crucial deve ser encarada com respeito por todos nós, os obreiros da salvação deste planeta, e principalmente para os competentes graduados em universidades e até mesmo mestres alternativos e artesões habitantes das comunidades ou novas ecovilas.

Nossa verdade luminosa e ecológica pode ser absorvida no coração até dos seres mais densos e duros, é sabermos falar e transmitir nossas boas novas, esta revolução silenciosa, esta anima, nem Osama e nem Bush, poderão manipular com suas bombas, drogas, armas, pecados fatais, onde sua parcial democracia e medo de amar, poderão evaporar com o uso de nossas tecnologias brandas, alimentos vivos, nossa criatividade e vitalidade artística e mística

Esta forma de visão estamos trazendo também nas empresas, e elaboramos inclusive projetos e seminários baseados em uma Mandala de Qualidade-total:

Uma Mandala da Qualidade Total

Mauro Shorr
Coordenador do Instituto Anima de Cultura e Desenvolvimento Sustentável/ Brasil

Cultivar legumes como se fossem plantas selvagens

Wednesday, March 3rd, 2010

Masanobu Fukuoka refinou de tal modo os métodos agrícolas que a sua agricultura selvagem, mantendo o mesmo rendimento por hectare que os tradicionais, exige menos trabalho e desgasta menos a Natureza.

Texto extraído do livro “A Revolução de uma Palha” de Masanobu Fukuoka.

“Eu cultivo os meus legumes de maneira semi-selvagem, utilizando um terreno vago, ribanceira ou terra inculta não vedada. A minha concepção é lançar, simplesmente as sementes à terra e deixar que os legumes crescam com as ervas daninhas. Faço crescer os meus legumes na encosta da montanha, nos espaços livres entre os citrinos.

O ponto importante é saber qual o momento certo para cultivar. Para os legumes primaveris, o momento certo é quando as ervas daninhas de Inverno começam a morrer e imediatemente antes da germinação das ervas daninhas da Primavera. No Outono, a sementeira deve fazer-se quando as ervas de Verão murcahm e as ervas daninhas de Inverno não apereceram ainda.

O melhor é esperar por uma chuva que tenha hipótese de durar vários dias. Ceifa-se a cobertura de ervas daninhas e espalham-se as sementes dos legumes. Não é necessário recobri-las de terra; as ervas daninhas que tivermos cortado são simplesmente espalhadas sobre as sementes, para desenpenharem a função de cobertura e esconderem.nas dos pássaros e das galinhas até comecarem a germinar. Habitualmente, as ervas daninhas devem ser cortadas duas ou trêz vezes para se dar algum espaço aos rebentos de legumes, mas por vezes um único corte é suficiente.

Nos sitios onde as ervas daninhas e o trevo não são espessos demais, as sementes podem ser simplesmente lançadas à terra. As galinhas comerão algumas, mas muitas germinarão, Se semarmos em linha ou em rego, há possibilidades de os coleópteros e outros tipos de insectos devorarem um bom número de sementes, porque caminham em linha recta.(…)

Os legumes que cresceram desta maneira são mais fortes do que a maioria das pessoas pensa. Se nascerem antes da ervas daninhas, não serão de seguida cobertos por elas. Há alguns legumes, tais como os espinafres e as cenouras, que não germinam com facilidade. Demolhar as sementes durante um dia ou dias e então envolvê-las em bolinhas de barro deverá resolver o problema.

Se forem semeados de forma mais concentrada, o rabanete japonês, o nabo e outros legumes verdes e folhosos de Outono serão suficientemente fortes para competir vitoriosamente com as ervas daninhas de Inverno e do inicio da Primavera. Um certo número destes legumes não são colhidos e reproduzem-se sozinhos anos após anos. Têm um perfume único e constituem um alimento muito interessante.

(…) Inicialemente, os tomates e beringelas não são suficientemente resistentes para entrar em competição com as ervas daninhas, de modo que devem primeiro semear-se em canteiro para germinarem, e serem de seguida transplantados. Em vez de se porem em estacas, devem deixar-se os tomateiros espalharem-se sobre a terra. Os nós da haste principal acabam por ganhar raiz e originarem novos rebentos que darão frutos.

Quanto aos pepinos, a variedade rastejante é a melhor. Deve cuidar-se dos pés jovens cortando ocasionalmente as ervas daninhas, mas depois disso os pés tornar-se-ão resistentes. Disponha bambu ou ramos de árvores e os pepinos enrolar-se-ão neles. Os ramos sustêm os frutos mesmo acima do solo de talmodo que eles não apodrecem. Este método para fazer crescer os pepinos funciona também com os melões e as abóboras.

(…) O objectivo principal desta cultura de legumes semi-selvagens é cultivar o mais naturalmente possível numa terra que de outro modo seria deixada inculta. Se forem misturados diversos tipos de ervas e de legumes, e eles crescerem por entre a vegetação natural, os estragos causados pelos insectos e as doenças serão minímos e não será necessário fazer pulverizações nem apanhar os insectos à mão.

Podemos cultivar legumes em qualquer lugar onde o crescimento das ervas daninhas for variado e forte.

Permacultura

Friday, January 15th, 2010

ImPermaculture_designers_manualagine uma casa que produz mais do que consome. Uma casa onde pode reaproveitar os restos orgânicos da sua cozinha para fertilizar o solo do seu jardim, utilizar a água captada das chuvas para regá-lo e alimentar-se de produtos orgânicos que esse mesmo jardim lhe deu.
Imagine que depois de uma bela refeição reaproveita esses restos orgânicos para alimentos, e assim sucessivamente. Uma casa que trabalha em parceria com a natureza e não contra ela. Uma casa que não rompe com os ciclos naturais, mas que se torna parte deles. Uma casa que faz parte da solução, e não do problema. Agora imagine várias casas juntas num sitio onde todos os sistemas se regem pelos mesmos principios. O que está a imaginar existe; chama-se uma eco-aldeia.

As eco-aldeias têm como denominador comum o objectivo de proporcionar um estilo de vida em harmonia com a natureza e entre os seus membros. Uma eco-aldeia tem como meta ser razoavelmente sustentável, no sentido de dar uma maior prioridade à produção local de alimentos orgânicos, energias renováveis,  design de permacultura, construção ecológica, funções de apoio social e familiar, e, no geral, um respeito pelos sistemas naturais e a necessidade de não pedir mais da terra do que o que ela nos pode dar. Noutras palavras, uma elevada qualidade de vida sem impacto ambiental.

A Permacultura poderia definir-se literalmente como “agricultura permanente”. A Permacultura trata as plantas, animais, construções, infra-estruturas (água, energia, comunicações) não apenas como elementos isolados, mas como parte de um grande sistema intrinsecamente relacionado. Entendese que tanto o habitante como a sua habitação e também o meio ambiente em que estão inseridos fazem parte de um mesmo e único sistema vivo. A Permacultura vai muito além da agricultura. É o planeamento de todo um sistema sustentável, envolvendo sabedoria ancestral e ciência moderna, começando pelo fornecimento de água pura e ar limpo, alimento abundante e saudável e habitações adequadas.

É um caminho para alcançar a sustentabilidade ecológica do planeta, que inclui tecnologias de tratamento de resíduos e efluentes, geração de energia, bio-construção, infra-estrutura ecológica e a integração total de comunidades de pessoas, plantas, animais, estruturas e tecnologias apropriadas a cada região, clima e cultura.

A filosofia por detrás da Permacultura visa trabalhar com a natureza, e não contra esta. É um trabalho de observação do mundo natural, com conclusões transcritas para o ambiente planeado.

Necessitamos observar os sistemas em todas as suas funções, ao contrário de exigir somente um produto destes. Para isto devemos permitir que estes sistemas produtivos, após devido planeamento, apresentem as suas evoluções próprias.

Os sistemas de Permacultura são globalmente reconhecidos como muito positivos para a cultura, economia e, acima de tudo, para o ambiente e a dignidade humana, pois estes sistemas têm como valores éticos as seguintes orientações: Cuidar da Terra; Cuidar das Pessoas, Animais e Plantas; Distribuir os excedentes e traçar limites ao consumo;

Estes princípios éticos estão intimamente ligados, visto não ser possível dissociá-los do ponto de vista prático.

Texto: http://www.naterra.org – Imagem: http://www.tagari.com

A revolução de uma palha

Sunday, December 6th, 2009

A agricultura natural surge nos anos 70 como resultado de 30 anos de experiências do microbiologista japonês Masanobu Fukuoka.  Centra-se numa atitude oposta à da agricultura industrializada. A ideia é reduzir o controlo e a manipulação do sistema agrícola para um mínimo necessário para ter colheitas, em vez de controlar e manipular todo o sistema. Deixa trabalhar a natureza e descansa à sombra da laranjeira! Fukuoka defende práticas como a sementeira directa, a não-monda e, tal como todos os tipos de agricultura sustentável, o não-uso de agroquímicos. A agricultura natural inspira muitos agricultores e deu origem a diversas práticas sustentáveis, estando também na origem da permacultura.

Os 4 princípios de base:

“Não cultivar
Não lavrar nem revolver a terra; a terra cultiva-se a si própria, naturalmente, pela penetração das raízes das plantas e pela acção dos microrganismos, dos pequenos animais e das minhocas

Não utilizar fertilizante químico nem composto preparado
Entregue a si próprio, o solo mantém naturalmente a sua fertilidade, de acordo com o ciclo ordenado da vida das plantas e dos animais

Não mondar nem mecânica nem quimicamente
As ervas daninhas desempenham um papel próprio na construção da fertilidade do solo e no equilíbrio da comunidade biológica. É um princípio fundamental controlar as ervas daninhas, mas não eliminá-las

Nenhuma dependência de produtos químicos
A Natureza, deixada só, encontra-se em perfeito equilíbrio. Os insectos nocivos e as doenças das plantas estão sempre presentes, mas na Natureza não atingem uma importância que necessite do uso de venenos químicos. A aproximação inteligente ao controlo das doenças e dos insectos consiste em fazer crescer colheitas vigorosas num ambiente são.”

Livro: A revolução de uma palha de Masanobu Fukuoka (editora via optima) – Partindo do princípio de que curar a terra e purificar o espírito humano são a mesma coisa, A Revolução de Uma Palha tem por objectivo mudar as nossas atitudes para com a Natureza, a agricultura, a alimentação e a saúde física e espiritual.

video: Agricultura Natural – Masanobu Fukuoka

video: Permaculture – Emilia Hazelip – Synergistic Garden
Na sequência do trabalho de Masanobu Fukuoka no Japão, Emilia Hazelip  demonstrou no clima temperado Europeu mais propriamente em França, a realidade possível de jardins hortícolas sinergéticos.