Bem-vindo ao blogue da "Quebrada do Meio". Um projecto embrionário de Permacultura na Freguesia de Chãos, concelho de Ferreira do Zêzere...

Cultivar legumes como se fossem plantas selvagens

Wednesday, March 3rd, 2010

Masanobu Fukuoka refinou de tal modo os métodos agrícolas que a sua agricultura selvagem, mantendo o mesmo rendimento por hectare que os tradicionais, exige menos trabalho e desgasta menos a Natureza.

Texto extraído do livro “A Revolução de uma Palha” de Masanobu Fukuoka.

“Eu cultivo os meus legumes de maneira semi-selvagem, utilizando um terreno vago, ribanceira ou terra inculta não vedada. A minha concepção é lançar, simplesmente as sementes à terra e deixar que os legumes crescam com as ervas daninhas. Faço crescer os meus legumes na encosta da montanha, nos espaços livres entre os citrinos.

O ponto importante é saber qual o momento certo para cultivar. Para os legumes primaveris, o momento certo é quando as ervas daninhas de Inverno começam a morrer e imediatemente antes da germinação das ervas daninhas da Primavera. No Outono, a sementeira deve fazer-se quando as ervas de Verão murcahm e as ervas daninhas de Inverno não apereceram ainda.

O melhor é esperar por uma chuva que tenha hipótese de durar vários dias. Ceifa-se a cobertura de ervas daninhas e espalham-se as sementes dos legumes. Não é necessário recobri-las de terra; as ervas daninhas que tivermos cortado são simplesmente espalhadas sobre as sementes, para desenpenharem a função de cobertura e esconderem.nas dos pássaros e das galinhas até comecarem a germinar. Habitualmente, as ervas daninhas devem ser cortadas duas ou trêz vezes para se dar algum espaço aos rebentos de legumes, mas por vezes um único corte é suficiente.

Nos sitios onde as ervas daninhas e o trevo não são espessos demais, as sementes podem ser simplesmente lançadas à terra. As galinhas comerão algumas, mas muitas germinarão, Se semarmos em linha ou em rego, há possibilidades de os coleópteros e outros tipos de insectos devorarem um bom número de sementes, porque caminham em linha recta.(…)

Os legumes que cresceram desta maneira são mais fortes do que a maioria das pessoas pensa. Se nascerem antes da ervas daninhas, não serão de seguida cobertos por elas. Há alguns legumes, tais como os espinafres e as cenouras, que não germinam com facilidade. Demolhar as sementes durante um dia ou dias e então envolvê-las em bolinhas de barro deverá resolver o problema.

Se forem semeados de forma mais concentrada, o rabanete japonês, o nabo e outros legumes verdes e folhosos de Outono serão suficientemente fortes para competir vitoriosamente com as ervas daninhas de Inverno e do inicio da Primavera. Um certo número destes legumes não são colhidos e reproduzem-se sozinhos anos após anos. Têm um perfume único e constituem um alimento muito interessante.

(…) Inicialemente, os tomates e beringelas não são suficientemente resistentes para entrar em competição com as ervas daninhas, de modo que devem primeiro semear-se em canteiro para germinarem, e serem de seguida transplantados. Em vez de se porem em estacas, devem deixar-se os tomateiros espalharem-se sobre a terra. Os nós da haste principal acabam por ganhar raiz e originarem novos rebentos que darão frutos.

Quanto aos pepinos, a variedade rastejante é a melhor. Deve cuidar-se dos pés jovens cortando ocasionalmente as ervas daninhas, mas depois disso os pés tornar-se-ão resistentes. Disponha bambu ou ramos de árvores e os pepinos enrolar-se-ão neles. Os ramos sustêm os frutos mesmo acima do solo de talmodo que eles não apodrecem. Este método para fazer crescer os pepinos funciona também com os melões e as abóboras.

(…) O objectivo principal desta cultura de legumes semi-selvagens é cultivar o mais naturalmente possível numa terra que de outro modo seria deixada inculta. Se forem misturados diversos tipos de ervas e de legumes, e eles crescerem por entre a vegetação natural, os estragos causados pelos insectos e as doenças serão minímos e não será necessário fazer pulverizações nem apanhar os insectos à mão.

Podemos cultivar legumes em qualquer lugar onde o crescimento das ervas daninhas for variado e forte.

Um homem transforma o deserto em florestas verdejantes

Tuesday, March 2nd, 2010

Video - Fukuoka in Greece (1/3)

O agricultor e filósofo japonês Masanobu Fukuoka revolucionou a agricultura. Desde há 50 anos não lavra os seus campos, não tira as hervas daninhas, não poda as árvores, renuncia a herbicidas e adubos químicos. Não semeia ordenadamente em filas mas lança as suas sementes ao largo. As suas colheitas são abundantes, a sua terra está em perfeito equilibrio, flora e fauna são diversificadas e exuberantes.

Fukuoka espalhou a sua mensagem pelo mundo inteiro. Na Somália ajudou agricultores de modo a que as suas terras queimadas voltassem a ser campos verdes. Na India, o seu método de fazer agricultura com os meios mais simples abriu novamente perspectivas aos agricultores mais pobres, seguindo desta forma o pensamento de Ghandi.

Em 1998, Fukuoka, recebeu o Prémio Magsasay (Prémio Nóbel da Paz no Extremo Oriente) para a sua contribuição para o bem da humanidade. Utilizou o seu método para florestar zonas deserticas, na Tailândia, nas Filipinas, na India e nalguns países africanos transformou pequenas regiões desertificadas em paiságens verdes, ricas em diversidade florestal. Em março de 98 começou na Grécia a primeira acção de reflorestação na Europa. O objectivo desta iniciativa era criar uma cintura verde no sul da Europa, tornando a terra desertificada em chão fértil. Começou-se com uma primeira sementeira em grande escala (10 000 ha) à volta do lago Vegoritida no norte da Grécia, tendo M. Fukuoka em pessoa liderado o projecto.

Voluntários vindos de toda a Europa, várias centenas de alunos, estudantes e agricultores envolveram 7 toneladas de sementes com 60 toneladas de barro, criando bolinhas que foram semeadas em 2 500 ha. Ministros, cientistas, jornalistas e a população local mostraram um vivo interesse e apoiaram o projecto.

Esta iniciativa foi a primeira de várias, planeadas noutras regiões desflorestadas da Europa. Houve outras iniciativas semelhantes em Tamera (Baixo Alentejo), no sul da Grécia e na Itália. Em Outubro de ´98 continuou-se a acção iniciada no norte a Grécia. Fukuoka acompanhou o seu desenrolar pessoalmente.

Fonte: Cintura Verde no Sul Europa

“Alimentação Justa, Acção Justa, Consciência Justa”

Wednesday, December 23rd, 2009

“É claro como água que se não praticarmos a agricultura natural não haverá alimentação natural à disposição dos clientes. Mas se a alimentação natural não for instaurada, o agricultor continuará incerto sobre o que deve cultivar.

Se as pessoas não se tornarem pessoas naturais, não poderá haver nem agricultura natural nem alimentação natural. Numa das cabanas da montanha, inscrevi estas palabras numa placa de pinheiro pregada por baixo da chaminé: “Alimentação Justa, Acção Justa, Consciência Justa”. Os três princípios são inseparáveis uns dos outros. Se faltar um, nenhum pode ser realizado. Se um for realizado, todos o são.

As pessoas observam com complacência que o mundo é um lugar onde o “progresso” nasce da desordem e da confusão. Mas o desenvolvimento destruidor e sem objectivo convida o pensamento à confusão, convida para nada mais nada menos de que a degeneraçência e o colapso da sociedade. Se não compreendermos claramente o que é a origem imóvel de toda esta actividade – o que é a Natureza – será impossível recuperarmos a saùde.”

Trecho do livro “A revolução de uma palha” de Masanobu Fukuoka

A revolução de uma palha

Sunday, December 6th, 2009

A agricultura natural surge nos anos 70 como resultado de 30 anos de experiências do microbiologista japonês Masanobu Fukuoka.  Centra-se numa atitude oposta à da agricultura industrializada. A ideia é reduzir o controlo e a manipulação do sistema agrícola para um mínimo necessário para ter colheitas, em vez de controlar e manipular todo o sistema. Deixa trabalhar a natureza e descansa à sombra da laranjeira! Fukuoka defende práticas como a sementeira directa, a não-monda e, tal como todos os tipos de agricultura sustentável, o não-uso de agroquímicos. A agricultura natural inspira muitos agricultores e deu origem a diversas práticas sustentáveis, estando também na origem da permacultura.

Os 4 princípios de base:

“Não cultivar
Não lavrar nem revolver a terra; a terra cultiva-se a si própria, naturalmente, pela penetração das raízes das plantas e pela acção dos microrganismos, dos pequenos animais e das minhocas

Não utilizar fertilizante químico nem composto preparado
Entregue a si próprio, o solo mantém naturalmente a sua fertilidade, de acordo com o ciclo ordenado da vida das plantas e dos animais

Não mondar nem mecânica nem quimicamente
As ervas daninhas desempenham um papel próprio na construção da fertilidade do solo e no equilíbrio da comunidade biológica. É um princípio fundamental controlar as ervas daninhas, mas não eliminá-las

Nenhuma dependência de produtos químicos
A Natureza, deixada só, encontra-se em perfeito equilíbrio. Os insectos nocivos e as doenças das plantas estão sempre presentes, mas na Natureza não atingem uma importância que necessite do uso de venenos químicos. A aproximação inteligente ao controlo das doenças e dos insectos consiste em fazer crescer colheitas vigorosas num ambiente são.”

Livro: A revolução de uma palha de Masanobu Fukuoka (editora via optima) – Partindo do princípio de que curar a terra e purificar o espírito humano são a mesma coisa, A Revolução de Uma Palha tem por objectivo mudar as nossas atitudes para com a Natureza, a agricultura, a alimentação e a saúde física e espiritual.

video: Agricultura Natural – Masanobu Fukuoka

video: Permaculture – Emilia Hazelip – Synergistic Garden
Na sequência do trabalho de Masanobu Fukuoka no Japão, Emilia Hazelip  demonstrou no clima temperado Europeu mais propriamente em França, a realidade possível de jardins hortícolas sinergéticos.